Pêssego


Assim que cheguei, me direcionei ao meu cacifo, troquei a minha roupa e guardei os meus pertences. Despida do mundo, descalça, cabelos soltos e apenas usando o avental habitual, me deitei na minha maca, respirei fundo e fechei os olhos.

Então, já estava lá, deitada no grande lago raso do jardim, tinha a minha pele e cabelos completamente molhados e revigorados, minha mente estava calma e meu corpo vivo. Me levantei lentamente, com aquela água de bálsamo escorrendo pelo meu corpo, as luzes em tom de pêssego da aurora eram refletidas na água e em mim.

Comecei a andar vagarosamente em direção ao pomar, era uma delícia sentir a terra e a água nos meus pés. 

Estava de túnica, assim como todas as minhas irmãs e as nossas peles em tons de ouro, cobre e prata, começavam a brilhar. Alí, era como um paraíso, completamente silencioso e seguro.

Saindo da água, ainda sentia a terra úmida e agora a textura macia daquele imenso gramado. Vi ao longe uma amiga de longa data, que se aproximava mais ao leste das árvores e fui caminhando ao seu encontro.

Quando eu cheguei junto a ela, já havia um cesto em suas suas mãos e ela colhia alguns frutos das árvores. Ela posou o cesto no chão, nos abraçamos e ao olhar nos olhos dela já sabia de tudo; ela me ofereceu um fruto e com as duas mãos segurei aquele pêssego rijo e macio, ao aproximar a minha boca pude sentir o cheiro afrodisíaco e nos meus lábios o sabor doce e suave daquela fruta perfeita.

Colhemos mais, até ter o cesto pela metade e fomos caminhando em direção ao salão, podia ouvir uma bela canção que vinha de lá.

Chegando às escadarias de mármore nos despimos e entregamos os cestos; chegando ao grande salão, procuramos um lugar a sombra para nós sentarmos e desembaraçarmos os cabelos, vestimos camisolas de seda pegamos escovas e sentamos nas almofadas no lugar escolhido.

Enquanto estávamos lá, cantávamos uma bela canção sobre o sol, a lua, as estações do ano e as colheitas.

Terminada a canção, a tocha já estava acesa, fomos à sacada olhar o vale florido e as estrelas que começavam a surgir no céu, já era a hora.

Abracei novamente a minha amiga e em silêncio retomei o meu caminho. Antes das escadas me despi novamente e fui andando em direção ao lago com todas as minhas irmãs, de volta ao lugar que tinha vindo.

Assim que abri os olhos ela me deu um sorriso e um papel com a data para a próxima sessão.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Natal em nossos corações